terça-feira, 6 de setembro de 2016

O tempo de uma fotografia.

Não era nem ontem, e nós éramos um rostinho inocente posando para um retrato escolar. Olhinhos apertados, espertos, ávidos por ver a vida crescer. Crescemos nós. Já no mundo adulto, aquela foto da escola perdeu-se em alguma caixa parda que guarda fotografias do tempo em que elas eram reveladas. Eram aguardadas no suspense de seu conteúdo. Havia prazer em esperar. Fala-se disso:

_ As fotos ficaram boas? _ Vem aqui em casa pra ver!. Diálogos dos século passado. O mundo adulto, hoje, é cheio de pressa. Nem bem viveu-se algo, e esse algo já foi postado em alguma rede. Desfruta de uns segundos de visibilidade, para depois perder-se, em memórias cibernéticas. Será que as crianças de hoje ainda tiram fotos do tipo grupinho escolar? Todas as carinhas reunidas, professora do lado, e um fotógrafo gorducho mandando fazer xis. Não há muito tempo para esperas e aguardos. Hoje, é tudo para hoje. Será que no meio de tanta aceleração, dá tempo de se perguntar onde estarão aqueles meninos e meninas do nosso retrato escolar? Caminhos que nos engolem enquanto tentamos acrescentar alguns minutos à mais nas nossas horas corridas, e lá se foram os nossos primeiros melhores amigos.

A que se presta esta nostalgia? Serventia prática, nenhuma! Pensamentos miúdos não se prestam. Eles prezam. Prezam alguma coisa de valor que vai se perdendo pra não se perder tempo, e que podia ‘não’.


Podia-se não perder contato com as pessoas queridas. Podia-se responder os e-mails com muito mais palavras. Podia-se telefonar ao invés de encurtar tudo por sms. Podia-se ganhar da preguiça e chamar amigos pra um jantarzinho. Podia-se ultrapassar o tédio e organizar uma viagem. Podia-se fazer mais visitas, pra se ver ao vivo e à cores. Podia-se escrever uma carta, pra lembrar da própria caligrafia. Podia-se largar mão de artificialidades e conversar com mais vontade. Podia-se deixar pra lá a vaidade, e expor os sentimentos com mais verdade. Podia-se deixar o orgulho de lado e procurar reacender os afetos congelados. Podia-se dar um tempo aos formalismos das relações, e sair por aí, abraçando os outros, beijando os outros, olhando nos olhos dos outros… Lembrando nossos passeios à Praia com nossos Pais...

Podia-se redescobrir aquele amigo, daquele tempo, e surpreender…

Em meio à tantas metas e prazos, a gente sabe que é na companhia do outro, na intenção e na atenção dedicados à amizade e ao encontro que a vida faz sentido. Sem perder tempo com as miudezas que importam, perdemo-nos todos. Perdidos e acelerados, periga que um dia, a gente não se ache mais.

‘Ultimamente têm passado muitos anos.’


Lud Mendes

Um dia...

Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem.
Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela...
Um dia nós percebemos que as mulheres têm instinto "caçador" e fazem qualquer homem sofrer ...
Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável...
Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples...
Um dia percebemos que o comum não nos atrai...
Um dia saberemos que ser classificado como "bonzinho" não é bom...
Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você... 


Um dia percebemos que somos muito importante para alguém, mas não damos valor a isso...
Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais...
Enfim...
Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para beijarmos todas as bocas que nos atraem, para dizer o que tem de ser dito...
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas as nossas loucuras...


Lud Mendes

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Se apaixonar.

Como sou um verdadeiro apaixonado por uma leitura boa, instrutiva, agradável e que fazem a gente fazer aquela viagem super interessante, hoje lembrei, de uma leitura que fiz a tempos atrás do famoso escritor brasileiro, Mario Quintana, onde escrevia algo interessante sobre a paixão ou estar apaixonado ou deixar alguém apaixonado por você. Ele aconselhava o seguinte:

Nunca diga te amo se não te interessa.
Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem.

Nunca toque numa vida se não pretende romper um coração.
Nunca olhe nos olhos de alguém se não quiser vê-lo se derramar em lágrimas por causa de ti.

A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você quando você não pretende fazer o mesmo.


Concordei plenamente nestas palavras, mas, meu conceito sobre se apaixonar e ou estar apaixonado acontece desta forma.

Um dia alguém vai se apaixonar pelo seu sorriso torto. Alguém vai precisar ouvir a sua voz antes de dormir e querer o seu bom dia para começar bem. Um dia alguém irá querer carregar as suas dores consigo e trazer um pouco de alívio. Esse alguém também irá aceitar as suas falhas, perdoar os seus maus entendidos e respeitar os seus silêncios mesmo que não entenda.

Alguém com quem você poderá até ter… brigas exageradas, mas nunca irá embora. Alguém cuja a palma da mão, você terá decorado cada detalhe e cravado a marca dos seus dedos entrelaçados. Um alguém fará você chorar e vice-versa, porém, terá um abraço que acolherá todos os erros.

Alguém que talvez te odeie um dia e ame no outro - ou no mesmo -, mas que invada diariamente o seu corpo de sensações únicas. Um alguém que te leva junto toda vez que parte, e te faz oscilar entre a vida e a morte em segundos de amor. Um alguém cuja alma te pertence desde sempre. Um dia um encontro marcará o que somente os olhos registrarão. Um dia, inesperadamente, alguém anula o resto do mundo para você. E você descobrirá, rapidamente, que esse alguém não poderia ser de mais ninguém, e nem você. Abraços!
Lud Mendes

domingo, 4 de setembro de 2016

Minha vida, como vivo.

Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo para você, não pense.

Nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velho. Eu não digo. Eu não digo que estou velho, e não digo que estou ouvindo pouco.

É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.

Procuro sempre ler e estar atualizado com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê. O bom é produzir sempre e não dormir de dia.

Também não diga para você que está ficando esquecido, porque assim você fica mais.

Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótimo. Eu não digo nunca que estou cansado.

Nada de palavra negativa. Quanto mais você diz estar ficando cansado e esquecido, mais esquecido fica.

Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então, silêncio!

Sei que tenho já, o meus 60 anos. Sei que venho da década de 50, e que trago comigo todas as idades, mas não sou velho, não. Você acha que eu sou?

Posso dizer que eu sou a terra e nada mais quero ser. Filho dessa abençoada terra de Santa Catarina.
Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus direitos.

Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.


Bom! Penso assim e vou continuar até meus últimos dias, e ainda por cima irei continuar preservando os meus melhores amigos.

                                                                                               Lud Mendes

Lições de vida.

Se a desilusão atingir sua alma, devastando seus sonhos e ofuscando novas possibilidades.
Pense na infinidade de caminhos que podem se abrir para você em apenas um dia, uma hora, um minuto...
Se a frustração acariciar friamente sua face, fazendo você cair diante dos obstáculos, olhe para trás e veja o quanto você já caminhou.


E o quanto cresceu colhendo em cada trilha amigos sinceros, amores, experiências inesquecíveis...
Se as palavras de insulto e humilhação agredirem a sua integridade, lembre-se de que elas são frutos putrefatos da maldade e da inveja, vire-se e continue a caminhar sem dar ouvidos aos fracos de alma que as pronunciam:  Um dia eles entenderão porque são completamente sós... Se a preocupação com os encargos do dia-a-dia tomar sua mente e enfraquecer o seu corpo, despertando o nervosismo e o estresse, olhe o horizonte e tente descobrir as saídas para os problemas ao invés de lamentar e achar que eles são piores do que realmente são... Se o vazio e a insegurança invadirem o seu peito, abra os braços, feche os olhos e repita para si mesmo: "eu posso voar..."


Você é capaz de tudo desde que acredite em si mesmo. Saiba enxergar a felicidade nas pequenas coisas da vida, numa conversa com os amigos, na brincadeira com o cachorro, numa paquera em barzinho ou no jogo de tranca com seu amigo...
Rotina é uma palavra que não existe, pois cada dia traz consigo pequenas surpresas e cada pequeno gesto, guarda uma imensa felicidade... E depois de tudo isso,  olhe para si mesmo e veja o quanto você é especial!


Imagine o quanto pode fazer pelo mundo e pelas pessoas, valorize as suas qualidades e tente corrigir seus defeitos (o que é realmente difícil) e saiba o quanto é privilegiado por poder caminhar, cair e aprender com os erros, por ser capaz de escrever uma história única, como nenhuma outra...
Pense nisso!


Ouse sonhar, pois os sonhadores vêem o amanhã. ouse fazer um desejo, pois desejar abre caminhos para a esperança e ela é o que nos mantém vivos. Ouse buscar as coisas que ninguém mais pode ver.
Acredite na magia, pois a vida é cheia dela, mas, acima de tudo, acredite em si mesmo... porque dentro de você reside toda a magia da esperança, do amor e dos sonhos de amanhã.



Lud Mendes

sábado, 3 de setembro de 2016

Fidelidade (Nos dias de hoje, uma raridade.)

Amigos, vamos falar de "Fidelidade", coisa rara nos dias de hoje. E eu to aqui. Apesar das bobagens, do egoísmo, da maldade, da fidelidade esquecida. Apesar dos sonhos destruídos, das vidas acabadas, das histórias mal contadas. Eu continuo aqui. Embora nada seja do jeito que eu sempre quis, embora as pessoas nunca consigam ser sinceras, embora um dia o amor termine. Ainda to aqui. Apesar da destruição, apesar da falsidade, das futilidades, das inúmeras fatalidades. Acho que ainda continuo aqui. e não importa o tempo que leve eu só quero encontrar a minha vida e ser a vida de alguém. Não importa de quem seja.

Ser fiel não é um ato bonito, não é uma ação pedida para sermos considerados moralmente incondenáveis. Ser fiel nem ao menos entra na gama das qualidades.
A fidelidade vem de perto seguida pela honra, pela justiça, pelo bom nome, não o da reputação, mas o bom nome de seu caráter, pois reputação é o que você fez e o que consequentemente as pessoas pensam disso. Caráter é o que você realmente é hoje, sem apoios de ações passadas. Ser fiel a algo, não é manter-se vigilante a isso por 24hs, pra não pecar e errar em algo que possa ser considerado infidelidade ao seu propósito, vai além da vigilância.

Ser fiel não é deixar de abrir portas pelo medo de acabar sendo seduzido, seja por quais motivos forem.
Aquele que em determinado passo da vida, para permanecer fiel a algo, faz esforço desumano, já deixou de ser fiel, somente. 
Não sabe disso ainda. A fidelidade inexiste quando o caráter é alterado de forma tal que a honra é corrompida, e isso gera a incapacidade de manter fidelidade. A fidelidade não é um ato, é um fruto. Ela é uma conseqüência de um propósito bem cuidado e conhecido. A fidelidade é o fruto que quando olhamos pra dentro de nós, nos dá prazer de tê-la, pois ela nos remete a um sentido, nos informa que a razão de ser permanece lá. Quando sentimos tentação de ser infiel, e esta tentação nos faz pensar em possibilidades pra ser, a fidelidade já não existe, pois o ato tentatório já corrompeu a honra e mudou o caráter. Fidelidade não é qualidade.
Fidelidade, enquanto não forçada, é fruto de um caráter sólido e de uma honra irrepreensível.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O Trem da VIDA.



Dia desses, li um livro que comparava a vida a uma viagem de trem. Uma comparação extremamente interessante, quando bem interpretada. Interessante, porque nossa vida é como uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, de pequenos acidentes pelo caminho, de surpresas agradáveis com alguns embarques e de tristezas com os desembarques. 

Quando nascemos ao embarcarmos nesse trem, encontramos duas pessoas que, acreditamos que farão conosco a viagem até o fim : Nossos pais. Não é verdade. Infelizmente em alguma estação, eles desembarcam, deixando-nos órfãos de seus carinho, proteção, amor e afeto. Mas isso não impede que durante a viagem, embarquem pessoas interessantes que virão ser especiais pra nós: nossos irmãos, amigos e amores. 



Muitas pessoas tomam esse trem a passeio. Outras fazem a viagem experimentando somente tristezas. E no trem há, também, outras que passam de vagão em vagão, prontas pra ajudar quem precisa . Curioso é considerar que alguns passageiros que nos são tão caros acomodam-se em vagões diferentes do nosso. Isso nos obriga a fazer essa viagem separados deles. Mas isso não nos impede de, com grande dificuldade, atravessarmos nosso vagão e chegar até eles. 

O difícil é aceitarmos que não podemos sentar ao seu lado, pois outra pessoa estará ocupando esse lugar. Essa viagem é assim : cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, embarques e desembarques. Sabemos que esse trem jámais volta. 

Façamos dessa viagem da melhor maneira possível, tentando manter um bom relacionamento com todos, procurando em cada um o que tem de melhor, lembrando sempre que, em algum momento do trajeto poderão fraquejar, e provavelmente, precisamos entender isso. Nós mesmo fraquejamos algumas vezes. E, certamente, alguém nos entendera. O grande mistério é que não sabemos em qual parada desceremos. E fico pensando: Quando eu descer desse trem sentirei saudades ? Sim. 

Deixar meus filhos viajando sozinhos será muito triste, separar-me dos amigos que nele fiz, do amor da minha vida, será dolorido. Mas me agarro na esperança de que em algum momento, estarei na estação principal, e terei a emoção de vê-los chegar com sua bagagem, que não tinham quando embarcaram. 



E o que me deixará feliz é saber que de alguma forma, eu colaborei para que essa bagagem tenha crescido e se tornado valiosa. Agora nesse momento, o trem diminui sua velocidade para que embarquem e desembarquem pessoas. Minha perspectiva aumenta, à medida que o trem vai diminuindo a velocidade.. Quem entrará? Quem sairá? 

Eu gostaria que você pensasse no desembarque do trem, não só como a representação da morte, mas, também, como o término de uma história de algo que duas ou mais pessoas construíram e que, por motivo ínfimo deixaram desmoronar. Fico feliz em saber que certas pessoas como nós, têm a capacidade de reconstruir pra recomeçar. Isso é sinal de garra e de luta, é saber viver, é tirar o melhor de "todos os passageiros".