quinta-feira, 16 de junho de 2016

Em torno da meta ideal

Cada ser humano anda pela vida em busca de uma meta ideal; ideal porque as ideias são as que constroem a ponte que une o mundo físico com o da ideação. Quem vive sem um ideal leva a morte sobre os ombros.

O ideal é aquilo que cada um forja como poderoso estímulo para alcançar o que se propõe. Se esse ideal é superior, o espírito ascenderá à medida que o ser avance para as metas superiores que o próprio ideal lhe assinala; se é inferior, seus passos se encaminharão para metas inferiores. Quando o ideal é superior, o homem luta, se empenha e se sacrifica por conquistar, dia após dia, uma parte do ideal forjado, e se este abarca sua própria vida, a lei exige não descuidar nem uma só partícula de tudo o que está compreendido nele.

Enquanto o processo traçado por um ideal superior se desenvolve, apresentam-se ao homem múltiplas ocasiões para efetuar observações de importância. As experiências constituem, talvez, o maior valor, e quem não se detém frente a elas, presentes ou passadas, para extrair as conclusões que haverá de aplicar em suas futuras atuações, de fato detém ou atrasa sua evolução.
 
Quando se vai em busca de uma meta ideal, deve-se pensar que,  se em algumas vezes os passos serão fáceis e rápidos, em outras serão difíceis e penosos

e que somente a recordação de experiências passadas, de lições recebidas, poderá auxiliar nesses momentos. Eis aí por que a pretendida suficiência fez os seres humanos se perderem tantas vezes: supriram a recordação do verdadeiro com a falsa recordação e, assim, muitas coisas que em suas origens foram tomadas de fontes generosas ou de experiências que a benevolência de outros ensinou a compreender, lhes foram apresentadas como próprias, isto é, como nascidas de sua própria fonte de inspiração, o que, ao invés de solucionar sua situação, agravou-a, pois tais coisas não têm consistência alguma. É isso que acontece àqueles que, sem ter a preparação que a lei exige para sustentar uma natureza sábia, colocam-se na posição mencionada.

Os filhotes que se lançam a voar deixando o ninho antes de ter as asas emplumadas, correm o perigo de cair e bater a cabeça. Poderia objetar-se que, se não fizessem esse ensaio, não aprenderiam a voar; mas o certo é que o ensaio prematuro costuma custar-lhes a quebra de uma asa, das patas, da cabeça, etc. Muito diferente é quando as aves pais os conduzem, primeiro de ramo em ramo, depois de galho em galho, prolongando mais e mais as distâncias à medida que os filhotes, longe de enfraquecerem, ganham força, pois um dia conseguirão efetuar magníficos voos, sem o perigo de cair vencidos pelo cansaço ou outras causas.

Admiro sempre os que põem em todos seus atos o empenho, a boa vontade e o grande anseio de superação, buscando ser em cada circunstância o responsável direto por eles. Quando o homem trabalha inspirado no bem e na superação, deve cuidar muito para que nada afete outros por sua causa. Esta deve ser uma de suas preocupações básicas toda vez que empreenda uma obra e exista alguém além dele para trabalhar e realizar a obra empreendida.  

domingo, 12 de junho de 2016

O valor de um conselho

Encontrava-me, sendo criança, em uma estância e, como todas as crianças, gostava de me afastar das casas e correr pelos campos. Um dia, saí montado em um petiço, com o propósito de ir até um rio muito distante, ao qual para chegar, tinha que atravessar montes e serras. Andando um pouco, encontrei no caminho o capataz da estância, acompanhado por alguns camponeses, que ao ver-me, perguntou amavelmente aonde ia; ao responder que me dirigia ao rio, disse-me:
– "Para chegar ao rio, terá que passar por três porteiras; tenha cuidado, menino, porque ali existe gado bravo, e quando vê gente nova é capaz de atacar".
Eu já tinha ouvido falar dessa boiada, mas mesmo assim decidi continuar o caminho. As porteiras que tinha que cruzar para chegar ao rio eram dessas antigas, cujos paus horizontais, superpostos, se introduzem nos orifícios de dois postes verticais colocados em ambos os lados do caminho.
Ao passar pela primeira, lembrei-me da recomendação do capataz, o qual me havia dito que a deixasse aberta ou só com o pau inferior colocado, para o caso de que a boiada corresse atrás de mim. Quando atravessei a segunda, esqueci-me da recomendação e afastei-me após ter fechado a porteira com todos os paus; ainda bem que ouvi, próximo, um burro zurrar, e crendo que fosse um leão, ou algo parecido, rapidamente voltei para tirá-los. Ao passar a terceira porteira, já próxima do rio, também tirei os paus.
Descia o vale, quando vi, de repente, a boiada pastando tranquila. "É a isto que chamam de gado bravo?" – disse-me, ao mesmo tempo em que decidia passar no meio dele. Não havia transcorrido um minuto, quando um touro enorme, que me pareceu de vinte ou trinta metros cúbicos, levantou a cabeça, olhou-me e, em seguida, começou a correr na minha direção e, com ele, todos os demais. Então sim, vi o perigo e fincando as esporas nas ilhargas do meu petiço, passei como um bólido pelas porteiras. Vendo que levava vantagem, ao chegar à última detive-me para fechá-la e deter, assim, a passagem das bestas.
Passado o mau momento, instantaneamente me recordei do capataz. Emocionei-me; enchi-me de ternura e compreendi quanto bem me havia feito sua palavra; uma palavra humana, uma advertência... Recordo que, quando lhe referi o ocorrido, me disse:
– "Ah! jovem, você se salvou porque tirou os paus da porteira. Meu filho foi morto por essa boiada."

A gratidão aguça o ouvido e faz sentir o mal muito antes que chegue.

Compreendi, nesse instante, quanto pode encerrar uma palavra e como penetra quando é dita para fazer o bem; compreendi, também, que esse homem tinha querido salvar em mim o seu próprio filho, e isto jamais pôde apagar-se entre as tantas recordações que existem em minha vida.
Vejam agora, o que encerram algumas palavras, e recordem quantas vezes terão escutado frases similares às que disse aquele homem do campo, sem que as conservassem na memória, causa pela qual, logo depois, tiveram de passar momentos angustiosos.
Eu guardo, para todos aqueles que de uma ou outra forma contribuíram para fazer-me mais grata a vida, uma eterna gratidão, e estampo nessa gratidão a lealdade com que conservo essa recordação, a qual jamais pôde empalidecer ali onde se encerra tudo quanto constitui a história de minha vida.
Recordar o bem recebido é fazer-se merecedor de tudo quanto amanhã possa nos ser oferecido. Não esqueçam que, quando um pai dá um conselho, é porque já viveu tudo o que esse conselho encerra e que, ao expressá-lo, quer evitar ao filho o que para ele foi motivo de sofrimento ou causou-lhe danos.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Quanto mais conhecimentos, maior é a consciência.

Ao encarar o tema Ser e não Ser, abordaremos nada menos que a consciência, fazendo um convite à mente para que ela pergunte e responda a si mesma: Estou de acordo com o que tenho feito durante minha vida? Pude, em algum momento, experimentar com toda plenitude a sensação de existir? Tenho comprovado que meu ser existe? Tenho sentido sua existência? Como é meu ser?

Por considerarmos que será um pouco difícil responder às perguntas formuladas, trataremos de conduzir o pensamento ao encontro de elementos de juízo indispensáveis para poder esboçar uma proposição adequada.  
Se levarmos em conta que para ser é absolutamente necessário sentir e experimentar a existência dentro desse mesmo ser, poderemos medir o grau ou a intensidade em que isso é ou foi realizado. Desse modo, aos olhos do entendimento, o ser aparece constituído pelo que sabe e pelo que realizou com base nos conhecimentos com os quais obteve uma identificação; esses conhecimentos formam a consciência. Quanto mais conhecimentos, maior é a consciência, e quanto maior é a consciência mais o ser se agiganta espiritualmente. Quem estivesse compreendido neste quadro, se tornaria, entre seus semelhantes, um ser cuja dimensão espiritual assumiria contornos cada vez mais ilimitados. 

De modo que aquele que se conforma em ser apenas um ser humano não conquista, por isso, a qualidade de ser – no sentido real da palavra – um ser superior; um ser que esteja acima dos demais seres humanos, daqueles que, aparentando ser, estão ainda no plano do “não ser”.

A cada dia se pode ser mais. Em quaisquer campos da vida acontece a mesma coisa. Assim, por exemplo, aquele que inicia um negócio ou começa uma carreira, o faz porque não sabe nada a respeito. Nessas condições, ele não é nada, mas vai sendo algo à medida que vai sabendo. É assim que chega a ser um profissional, um grande comerciante, etc. Por quê? Porque sabe; porque deixou de ser um "não ser" para ser médico, advogado, engenheiro, industrial, comerciante, etc.  Assim é na vida comum. Na superior é igual. Uma pessoa empreende uma investigação; interna-se, por exemplo, no campo logosófico, para conhecer os mistérios do mecanismo mental, da evolução consciente, a fim de penetrar na vida interna e descobrir muitas coisas de si mesmo que antes ignorava. A princípio, não sabe nada; inicia na condição de “não ser”, mas vai sendo conforme vai sabendo, vai conhecendo. Esse conhecimento é, precisamente, o que lhe confere a qualidade ou a condição de ser; e esse ser, à medida que mais conhece, mais é. 

quarta-feira, 8 de junho de 2016

A VIDA - LOUCURA ou DESAFIO


Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem. 
Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela... Um dia nós percebemos que as mulheres têm instinto "caçador" e fazem qualquer homem sofrer ... Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável... Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples... Um dia percebemos que o comum não nos atrai...
Um dia saberemos que ser classificado como "bonzinho" não é bom... Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você... 
Um dia saberemos a importância da frase: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..." Um dia percebemos que somos muito importante para alguém, mas não damos valor a isso... Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais...Enfim... 



Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para beijarmos todas as bocas que nos atraem, para dizer o que tem de ser dito... O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas as nossas loucuras...
Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.



Pensando bem em tudo o que a gente vê e vivência e ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente. Existe uma pessoa que se você for parar pra pensar é, na verdade, a pessoa errada. Porque a pessoa certa faz tudo certinho!
Chega na hora certa, fala as coisas certas, faz as coisas certas, mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas. Aí é a hora de procurar a pessoa errada. A pessoa errada te faz perder a cabeça, perder a hora, morrer de amor...A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar que é pra na hora que vocês se encontrarem a entrega ser muito mais verdadeira. A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa.
Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas.
Essa pessoa vai tirar seu sono. Essa pessoa talvez te magoe e depois te enche de mimos pedindo seu perdão. Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado, mas vai estar 100% da vida dela esperando você. Vai estar o tempo todo pensando em você.

A
pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo, porque a vida não é certa.
Nada aqui é certo! O que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento, cada segundo, amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo, querendo, conseguindo... E só assim, é possível chegar àquele momento do dia em que a gente diz: "Graças a Deus deu tudo certo". Quando na verdade, tudo o que Ele quer é que a gente encontre a pessoa errada pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra gente...

Concluimos que: Para sermos felizes,  não é obter todas as riquezas do mundo e sim acreditar que você é a maior delas.

domingo, 5 de junho de 2016

Acredite em você, confie em Deus.

Eu creio em mim mesmo. Creio nos que convivam comigo, creio nos meus amigos e creio na minha família. Creio que Deus me emprestará tudo que necessito para triunfar, contanto que eu me esforce para alcançar com meios lícitos e honestos. Creio nas orações e nunca fecharei meus olhos para dormir, sem pedir antes a devida orientação a fim de ser paciente com os outros e tolerante com os que não acreditam no que eu acredito. Creio que o triunfo é resultado de esforço inteligente, que não depende da sorte, da magia, de amigos, companheiros duvidosos ou de parentes. Creio que tirarei da vida exatamente o que nela colocar. Serei cauteloso quando tratar os outros, como quero que eles sejam comigo. Não caluniarei aqueles que não gosto. Não diminuirei meu trabalho por ver que os outros o fazem. Prestarei o melhor serviço de que sou capaz, porque jurei a mim mesmo triunfar na vida, e sei que o triunfo é sempre resultado do esforço consciente e eficaz. Finalmente, perdoarei os que me ofendem, porque compreendo que às vezes ofendo os outros e necessito de perdão. Consciente disso, "Eu" Ludgero Luiz Mendes, acredito que, a vida é fruto da decisão de cada momento. Talvez seja por isso, que a idéia de plantio seja tão reveladora sobre a arte de viver.
Viver é plantar. É atitude de constante semeadura, de deixar cair na terra de nossa existência as mais diversas formas de sementes. Cada escolha, por menor que seja, é uma forma de semente que lançamos sobre o canteiro que somos. Um dia, tudo o que agora silenciosamente plantamos, ou deixamos plantar em nós, será plantação que poderá ser vista de longe...




Para cada dia, o seu empenho. A sabedoria bíblica nos confirma isso, quando nos diz que "debaixo do céu há um tempo para cada coisa!"   Hoje, neste tempo que é seu, o futuro está sendo plantado. As escolhas que você procura, os amigos que você cultiva, as leituras que você faz, os valores que você abraça, os amores que você ama, tudo será determinante para a colheita futura.  Felicidade talvez seja isso: alegria de recolher da terra que somos, frutos que sejam agradáveis aos olhos!  Infelicidade, talvez seja o contrário.  O que não podemos perder de vista é que a vida não é real fora do cultivo. Sempre é tempo de lançar sementes... Sempre é tempo de recolher frutos. Tudo ao mesmo tempo. Sementes de ontem, frutos de hoje, Sementes de hoje, frutos de amanhã!  Por isso, não perca de vista o que você anda escolhendo para deixar cair na sua terra. Cuidado com os semeadores que não lhe amam. Eles têm o poder de estragar o resultado de muitas coisas.  Cuidado com os semeadores que você não conhece. Há muita maldade escondida em sorrisos sedutores...
Cuidado com aqueles que deixam cair qualquer coisa sobre você, afinal, você merece muito mais que qualquer coisa.  Cuidado com os amores passageiros... eles costumam deixar marcas dolorosas que não passam...  Cuidado com os invasores do seu corpo... eles não costumam voltar para ajudar a consertar a desordem...  Cuidado com os olhares de quem não sabe lhe amar... eles costumam lhe fazer esquecer que você vale à pena...  Cuidado com as palavras mentirosas que esparramam por aí... elas costumam estragar o nosso referencial da verdade...  Cuidado com as vozes que insistem em lhe recordar os seus defeitos... elas costumam prejudicar a sua visão sobre si mesmo. 



Não tenha medo de se olhar no espelho. É nessa cara safada que você tem, que Deus resolveu expressar mais uma vez, o amor que Ele tem pelo mundo.  Não desanime de você, ainda que a colheita de hoje não seja muito feliz.  Não coloque um ponto final nas suas esperanças. Ainda há muito o que fazer, ainda há muito o que plantar, e o que amar nessa vida.  Ao invés de ficar parado no que você fez de errado, olhe para frente, e veja o que ainda pode ser feito...  A vida ainda não terminou. E já dizia o poeta "que os sonhos não envelhecem..."  Vai em frente. Sorriso no rosto e firmeza nas decisões.  Deus resolveu reformar o mundo, e escolheu o seu coração para iniciar a reforma.  Isso prova que Ele ainda acredita em você. E se Ele ainda acredita, quem sou eu para duvidar... (?)

sábado, 4 de junho de 2016

SEJA HUMILDE.

A gente aprende muita coisa na escola, com os professores, nos livros, com os amigos, com nossos pais, ouvindo e lendo histórias de vida das pessoas. Mas sabe de uma coisa, nunca, nada e nem ninguém te ensinará tão bem como a vida. Ela te ensina da maneira fácil, caso você aceite o que ela te ensina, ou da maneira mais dificil, caso você tente vive-la achando que sabe de tudo só porque ouviu conselhos, leu livros e histórias. 

A vida vai te ensinar de verdade de um jeito que, passe o tempo que for, você jamais esquecerá a lição. Enquanto você não aprende a ser humilde e entende que tudo acontece no seu devido tempo e nao na hora que você quer, ela vai te colocar de joelhos sempre, sem dó. Vai te derrubar justamente naquele momento em que você esta mais convencido da vitória. Sei disso porque ja passei por muitas coisas, tive frustrações, decepções, fracassos... Mas quer saber, não lamento nada disso. Hoje sei que tudo que aconteceu, mesmo nao sendo la tao bom, foi para que me trousesse até aqui onde estou. Sempre tive planos grandiosos pra minha vida, e continuo, mas hoje não uso a força com o destino, uso a humildade, se não der certo dessa vez, tento, retento, e assim vou, até quando as coisas se encaixarem e tomarem seu devido lugar. Se isso nao acontecer é porque não éra pra ser. Por fim, acredite, nunca se sabe o quanto se é feliz até que acabe, pois a felicidade é uma coisa rara, mas ao mesmo tempo, é encontrada nas coisas mais simples da vida, como um simples passeio em um parque com uma pessoa que a gente ama. Parece algo simples, mas acredite, é alí, justamente nesse ato simples e normal, que se encontra a verdadeira e mais pura felicidade. Agora, vai la viver pra você aprender.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Procure dar maior conteúdo à vida.

No homem existiu sempre, por lei natural, a inclinação para a posse; possuir uma coisa constituiu-se em todas as épocas um prazer, experimentado desde o momento em que se pensou na posse até seu alcance. Isto, naturalmente, dá um conteúdo à vida durante todo o tempo em que se mantém vivo o pensamento da posse. Há uma sensação agradável, que chega a presidir a vigília e até o sono, sobretudo quando se produz a aproximação ao desejado, e, enquanto dura e se realiza a aspiração, o ser vive feliz.
Apesar de a vida humana ser um constante possuir, a maioria ignora como é possível cumprir este desígnio sem que cada posse produza tormento e aflição, em vez de dar felicidade. Há que saber o que se quer possuir, e saber, também, se tal posse haverá de identificar-se com a vida e será elemento fértil para o cultivo de futuras prerrogativas. Deve-se possuir, então, aquilo que ofereça felicidade com projeções ao eterno, para que ela não seja efêmera. Esta verdade deve ser para cada um o sol que ilumine os dias da existência.

Muitas vezes se tem visto as pessoas sentirem felicidade enquanto buscavam por todas as partes do mundo a posse, por exemplo, de um selo, a qual manteve viva nelas a ilusão de encontrá-lo. Uma vez em suas mãos, é colocado em um álbum que se fecha, acabando ali a posse. Tal fato constitui a própria negação da posse, porque toda coisa nova que se possua deve enriquecer o acervo pessoal e tudo quanto forme a própria vida, aumentando a felicidade, a alegria e oferecendo uma nova possibilidade.
O homem pode traçar para si uma norma de conduta, procurando na posse de algo que lhe embeleze a vida, ou lhe dê conteúdo, o vigor do qual tanto necessita a alma nos momentos difíceis e que tão somente lhe pode dar a felicidade sabiamente experimentada e vivida, e a alegria e a confiança no que possui. Não é olhando para aqui e para lá, dizendo "isto me agrada, e isso também, e aquilo e mais aquilo”, como se poderia encontrar prazer, senão que esse prazer há de achar-se na segurança de sentir-se dono do que já se possui e em saber que ainda se pode chegar a possuir muito mais, com inteligência e bom juízo.
É necessário dar à vida um conteúdo, que pode ser aumentado pela qualidade das posses a que se aspire. O conhecimento é uma das posses a que mais deve aspirar o ser humano, visto que facilita a posse de tudo mais. Ainda que em determinado momento se perca integralmente o material, se conservarão intactas as posses espirituais. O material poderá ser reconstruído, poderá ser novamente possuído; mas nunca caia o homem na aberração da conquista material exclusiva, pois lhe faria perder o patrimônio do espírito, que é de essência eterna.